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Nick Azevedo
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Postada em 13/04/2017 ás 08h07 - atualizada em 13/04/2017 ás 08h07
'Delação do fim do mundo' movimenta bastidores e tribuna da Assembleia
Enquanto deputados oposicionistas cobram afastamento de ministros de Temer citados em delação da Odebrecht, governistas pregam prudência no caso

"Somos PMDB de verdade. Acho que eles (ministros) deveriam ser todos afastados", defende Requião Filho

Curitiba - A divulgação da lista do ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), movimentou a sessão de ontem na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, a última antes do feriadão da Páscoa. Tanto da tribuna como nos bastidores, parlamentares comentavam o teor do documento, que inclui 98 pessoas, sendo oito ministros, três governadores, 24 senadores e 39 deputados federais, de diversos partidos. Os pedidos para abertura de inquérito se baseiam em outra lista, a do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, feita a partir de delações de ex-executivos da Odebrecht. 



A lista de Fachin inclui políticos do Paraná, como a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), o deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR), o ex-senador Osmar Dias (PDT), o presidente da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar), Abelardo Lupion e o marido de Gleisi, o ex-ministro Paulo Bernardo. O ministro do STF enviou ainda ao Superior Tribunal de Justiça pedido de investigação referente ao governador do Paraná, Beto Richa (PSDB). Segundo delatores da Odebrecht, Beto teria recedido o pagamento de "vantagens indevidas" a "pretexto de campanhas eleitorais". Por ser governador, o tucano tem prerrogativa de foro no STJ, não no STF. Em nota à imprensa, a assessoria do governador afirmou que desconhece a citação do nome dele na lista e que o dinheiro de todas as campanhas tiveram a origem declarada à Justiça Eleitoral. 



O líder da oposição na Casa, Tadeu Veneri (PT), cobrou uma atitude do presidente Michel Temer (PMDB). "Vai valer aquilo que ele dizia, que se houvesse denúncia contra seus ministros os afastaria? O governo está diante de um grande dilema. Se ele cumprir, haverá uma profunda reforma ministerial agora, começando pelo [Eliseu] Padilha (Casa Civil) e pelo [José] Serra (ex-Relações Exteriores)", discursou. Na avaliação do petista, políticos que se mostravam "acima de todos", como os tucanos Geraldo Alckmin, Fernando Henrique Cardoso e o governador do Paraná, Beto Richa, devem uma resposta. 



"O sistema é apenas a Odebrecht ou a Odebrecht faz parte do sistema? O que temos é um sistema falido em nível federal, que se reproduz em nível estadual e municipal. A política fechou ou deveria fechar um ciclo. Não há como bater panela agora porque vai faltar panela. Não vai resolver, já que temos os santos do PSDB e todos aqueles que usaram camisa verde e amarela. Está [na lista] o senhor Aécio [Neves], o homem que se dizia indignado, numa quantidade de relações que não cabe mais numa página. É preciso que a sociedade que derrubou a presidenta Dilma reflita sobre o que aconteceu", prosseguiu Veneri. 



Vice-líder da oposição na AL e integrante do mesmo partido de Temer, Requião Filho disse ser importante diferenciar a cúpula do PMDB de Brasília da cúpula paranaense. "Aqui não temos nenhum nome, enquanto diversas outras lideranças políticas do Estado estão com seus nomes na lista do Fachin, na lista do Janot, e temos inclusive um governador envolvido em diversos escândalos. O envolvimento em uma lista pode ser um erro, uma delação feita de forma caluniosa ou irresponsável, mas quando um nome aparece na Quadro Negro, na Publicano, em denúncia do IAP, na lista do Janot, na lista do Fachin... Mostra um modus operandi que nos assusta como paranaenses", afirmou. 



"Nós nos esforçamos em mostrar que o nosso DNA é diferente do DNA deles [Brasília]. Aqui somos contra a reforma da Previdência, contra a terceirização da atividade fim, contra a reforma dos direitos trabalhistas (...) Somos PMDB de verdade. Acho que eles (ministros) deveriam ser todos afastados. Foi o próprio presidente que falou que investigados e citados seriam tirados. Deveríamos dar um exemplo para que as investigações possam ocorrer de forma livre e descomplicada, mostrando que não têm medo da perda do foro", completou. 

Já Hussein Bakri (PSD), vice-líder da situação, avaliou ser necessário calma para "separar o joio do trigo", isto é, quem de fato é culpado. "É muita informação ao mesmo tempo e, no decorrer do encaminhamento, é que vamos saber o nível de envolvimento de cada um. Uma delação tem de ser bem substanciada. Fulano disse o seguinte: ‘olha, eu quero dinheiro aqui, mas vou repassar para mais dois’. Até que ponto isso tem fundamento? É óbvio que grande parte, citada por três ou quatro delatores, é outro caso. Mas realmente [a lista de Fachin] dá uma nova dinâmica à política nacional e à política estadual. Não podemos negar." 



Bakri se mostrou surpreso quanto à menção ao ex-senador Osmar Dias. "Não estava sendo aventado. Outros vinham sendo comentados. O governador mesmo já tinha indícios de que o nome dele seria citado. Ele [Beto] me disse que está tranquilo quanto ao processo, mas já havia rumores de que o nome dele seria colocado. A grande preocupação é o que isso tudo vai repercutir na economia do País. Não tenho dúvidas de que vamos viver tempos cinzentos - longe de dizer que isso não tinha que acontecer. Tem de passar a limpo. Está caindo por terra a premissa de que a justiça não pune." 



Igualmente membro da bancada governista, o primeiro vice-presidente da AL, Guto Silva (PSD), foi na mesma linha. "Fiquei surpreso com alguns nomes e também não temos ainda informações concretas sobre o andamento desse processo. O momento agora é de fazer uma avaliação política do que está acontecendo no País e no Estado, mas temos um processo de aguardo para observar melhor o que está sendo delatado, qual a profundidade da denúncia. É um momento delicado, sensível, difícil e muito duro." 



Assim como Veneri e Requião, ele defendeu o afastamento imediato dos ministros, desde que haja "indícios de irregularidade". "Tem de dar uma resposta à sociedade. Mas naturalmente precisamos dessas informações para ver o teor e aguardar o julgamento. Eu compreendo que, se for grave realmente, indiciado, a natureza do processo for profunda, temos de afastar. Estamos no escuro como grande parte da população, não sabemos de tudo o que está tramitando no Supremo e precisamos de cautela." (Com Folhapress)



Mariana Franco Ramos

Reportagem Local


FONTE: http://www.folhadelondrina.com.br
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